METODOLOGIA 3 PI ADOTADA NO DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO DO ATELIÊ MARUAI

Maria Regina Martins Cabral

3 PI = 3 PONTOS DE INFLEXÃO

INFLEXÃO = FIGURATIVAMENTE A UMA PORTA QUE ATRAVESSAMOS

 

 

O Ateliê Maruai é um projeto incubado pela Incubadora de Projetos Produtivos, do Formação, no âmbito do Projeto Comunidades Produtivas, apoiado pela empresa Vale. Como previsto na segunda etapa de incubação (metodologia do Formação), foi construído o PDN – Plano de Desenvolvimento do Negócio.

O PDN do Ateliê Maruai começou a ser discutido com as mulheres do empreendimento na Comunidade Maruai, no início da segunda etapa de incubação do projeto (agosto 2016). O primeiro momento foi de avaliação junto aos integrantes do projeto, na sede da organização comunitária de Maruai, quando foi explicada a metodologia 3 PI (3 Pontos de Inflexão) para o grupo de mulheres presentes.

Nos momentos iniciais de discussão sobre a importância do empreendimento nesta nova etapa em que a ênfase maior foi na produção de roupas e acessórios houve levantamentos do ponto de vista interno e externo dos pontos fortes, fracos, as ameaças que podem ter e sobre quais oportunidades podem surgir.

A matriz FOFA (SWOT) foi usada para organizar as fortalezas, fraquezas, oportunidades e ameaças que foram sendo identificadas no processo. No quadro abaixo podemos visualizar alguns desses aspectos positivos e negativos, do ponto de vista interno e externo à comunidade e aos vizinhos empreendedores.

Quadro 1 – Avaliação do Negócio (FOFA)

FATORES INTERNOS
Fortalezas

Uma ideia de negócio que foi se tornando mais clara com rico processo de formação e boa estruturação física e de equipamentos.

Experiência com customização.

Interesse em realizar uma atividade produtiva.

Projeto Comunitário envolvendo famílias participantes da organização comunitária de Maruai.

Apoio das famílias.

Interesse pela atividade artesanal e criativa de customização e costura.

Associação Comunitária como organizadora do negócio.

Liderança local que apoia.

Fraquezas

Pouca experiência com corte e costura.

Disputas.

 

 

FATORES EXTERNOS
Oportunidades

Apoio da Vale com subsídios para estruturar negócio.

Incubação pelo FCAEB com equipe de especialistas dedicado ao processo de capacitação, monitoramento e estruturação.

Possibilidade de se consolidar rede de vizinhos para ampliação de escala.

Participar da Rede Comunidade Produtiva.

Ameaças

Desânimo – caso ocorra.

Não formalização do negócio.

Comercialização – precisa ser estruturada.

 

Fonte: Líderes do Negócio.

Esse processo foi desenvolvido nas duas primeiras reuniões realizadas, mas ocorreram também ao longo do Programa de Formação em concepção, produção (corte e costura) e gestão, sobretudo nos momentos de discussão da gestão e da comercialização dos produtos.

Desde o início da incubação do projeto foi ressaltada a importância das mulheres empreendedoras não desanimarem com o trabalho inicial, quando ainda não existem rendimentos suficientes para pagamento de salários ou retirada dos “donos” do negócio. Todo empreendimento tem uma fase inicial onde apenas se investe em estrutura, capacitação e produção/comercialização.

A metodologia 3PI foi adotada nas abordagens feitas pela equipe do Formação.

SOBRE A METODOLOGIA 3 PI

Uma das preocupações mais recorrentes de quem se envolve em um empreendimento é a de como produzir e de como comercializar; somam-se a esses desafios os questionamentos: de que forma o meu esforço vai me beneficiar? como continuar quando o apoio acaba?

A primeira fase vivenciada em Maruai, em 2015, foi da definição da ideia, esboço inicial do projeto, estruturação inicial do negócio e início da capacitação. Quando se finaliza essa etapa com êxito, os donos do empreendimento atravessam uma porta que se denomina de primeiro PI (Ponto de Inflexão). Mas essa fase não se sustenta se não houver continuidade no investimento do mesmo, o que continua ocorrendo na segunda fase do projeto (2016). Nesta fase, a capacitação e os investimentos em equipamentos e insumos continuam, agora a partir de ideias que se consolidam cada vez mais em um plano de desenvolvimento do negócio.

Este plano, parte das ideias das mulheres empreendedoras mediadas pela Incubadora e de dados coletados para elaboração da linha de base das famílias envolvidas (baseline). A Incubadora funciona como uma mistura de assessor que mostra possibilidades e coaching que faz o conhecimento que está interno a cada um aparecer.

Mesmo com avanços perceptíveis nos projeto, até esse momento da segunda fase, ainda há necessidade de se atravessar uma terceira porta com a consolidação da concepção e confecção das peças, das compras com autonomia (inclusive dos tecidos e de outros materiais) e das vendas que geram lucro e capital de giro para novos e contínuos investimentos.

Para o detalhamento do negócio e sua estruturação no PDN foi adotado também (com adaptação) o Modelo Canvas de Negócios (Business Model Canvas), ferramenta de planejamento estratégico que permite desenvolver e esboçar modelos de negócios novos ou já existentes, no âmbito da metodologia 3 PI. Como PI é Ponto de Inflexão, cada ponto de inflexão equivale a uma porta que se atravessa quando conhecimentos novos sobre o negócio e sua estruturação são apreendidos e a visão / compreensão do negócio é expandida.

É como se em cada etapa do negócio as empreendedoras fossem convidadas a se dedicarem a uma caminhada cuja meta fosse adquirir um tipo de conhecimento que as levassem a outro lugar. Nesse caso, a ideia, via a Incubadora, é a seguinte: cada um que empreende apesar do medo de fazê-lo deve ser gentilmente ajudado, não por muletas, mas pelo desvelamento das suas capacidades. Para isso, o principal papel da equipe do Formação é colocar luz no caminho, sinalizar, fazer com que cada mulher envolvida revele suas capacidades.

Cada etapa do negócio financiado/subsidiado pela Vale equivale a uma porta atravessada, a um PI.

O desenvolvimento do primeiro PI ocorreu em 2015, quando mulheres jovens e adultas de Maruai foram convidadas a discutirem ideias de negócio produtivo. Elas definiram o seu investimento a partir de um projeto de customização em sandálias que desenvolviam. Esse novo investimento seria em moda (confecção e acessórios) implantando o Atelie Maruai. Ao focarem nessa ideia tiveram o primeiro ponto de inflexão, atravessaram a primeira porta, o que significa dizer que nos últimos seis meses desse primeiro ano elas conseguiram:

– mobilizar-se;

– definir uma ideia;

– elaborar um projeto;

– iniciar processo de capacitação para desenvolvimento da ideia;

– ter o subsídio inicial para estruturação do negócio “Atelie Maruai”;

– acompanhamento da produção inicial e do primeiro desfile conceitual.

Em 2016, ainda sem terem total credibilidade no sucesso do seu empreendimento iniciaram as estratégias previstas no segundo PI. Essas estratégias foram voltadas para a travessia de uma segunda porta. Alcançaram nessa etapa:

– definição de uma baseline familiar – para referenciar momento atual e metas a alcançar;

– elaboração do Plano de Desenvolvimento do Negócio (PDN);

– desfile na comunidade para socializar com mais vizinhos o negócio;

– continuidade do processo de capacitação (local e em outros espaços como feiras e mercados);

– ampliação do investimento com aquisição de mais equipamentos e matéria prima para aumentar escala de produção;

– definição de identidade visual;

– definição dos produtos / coleções e dos respectivos preços;

– inicio das vendas para alcance de meta de arrecadação definida no PDN.

Em 2017/2018, a ideia é continuar o investimento no 3º PI, que equivale a:

– monitoramento do negócio;

– ampliação em 200% em relação a quantidade total vendida e a vender (2015-2016) das peças com investimento próprio (50%) e subsidiado (50%);

– intensificação da venda em eventos, feiras, condomínios (com envolvimento em rede de negócios e oportunidade de vendas fomentadas e subsidiadas);

– formalização do Negócio;

– construção de espaço próprio;

– inserção do negócio na Rede Comunidade Produtiva (pontos fixos de comercialização e feiras itinerantes em Praças e Condomínios);

– ampliação da área do Centro Comunitário para assegurar espaço específico do Ateliê.

 

 

[1] Cofundadora e Diretora do  FCAEB  (Formação – Centro de Apoio a Educação Básica).  CEO do IMAES (Instituto Maranhão Amazônia de Educação Superior). Diretora da FFI (Formação Faculdade Integrada). Especialista em Economia Social e Desenvolvimento Local pela Universidad General Sarmiento.  Doutora em Educação pela USP / Universidad de Sevilla.

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COMUNIDADES PRODUTIVAS – incentivando a economia orgânica, criativa e sustentável

Maria Regina Martins Cabral[1]

Desde 2014 concebemos e executamos projetos com o conceito de Comunidades Produtivas pelo Formação – Centro de Apoio à Educação Básica, organização criada em 1999.

O que entendemos como comunidade produtiva, economia orgânica, economia criativa e economia sustentável?

  1. Comunidade Produtiva – a partir da ideia de que vizinhos mobilizados podem empreender, desenvolver projetos / negócios de produção local em modelos sustentáveis, criativos, sociais e solidários.
  2. Economia Orgânica – não apenas aquela associada à produção orgânica de alimentos, mas àquela que potencializa o desenvolvimento local a partir de potencialidades próprias, insumos e sujeitos do território a ser desenvolvido.
  3. Economia Criativa – vinculada à ideia dos negócios criativos, mas também daquela que com o olhar filosófico e para além do horizonte dos proponentes se desenvolve produtos e negócios que contribuem para o desenvolvimento de lugares de vida saudável e interativa.
  4. Economia Sustentável – não apenas aquela que é pensada e voltada para a sustentabilidade ambiental e da ecologia humana, mas também que possibilita a sustentabilidade do negócio e da família.

Na estruturação do projeto Comunidades Produtivas o Formação desenhou e sistematizou metodologias e modelos de gestão:

1 – METODOLOGIA 3 PI

2 – PLANO DE DESENVOLVIMENTO DE NEGÓGIO – PDN

3 – ÍNDICE COMUNIDADE PRODUTIVA – ICP

No ano de 2016 com apoio da Vale o Projeto Comunidade Produtiva, como guarda chuva, incubou três negócios orgânicos em comunidades com baixos indicadores sociais e famílias em condições de vulnerabilidade econômica.

  1. Projeto Ateliê Maruai
  2. Projeto Circuito de Criação de Aves de Jacu
  3. Projeto Circuito de Alimentos de Moitas

Os Planos de Desenvolvimento de Negócio foram elaborados para cada um desses projetos. Por exemplo, em Maruai foi elaborado em conjunto com as mulheres e lideranças da comunidade, com o objetivo de consolidar o negócio criativo de concepção e confecção da Moda Maruai. A definição da área desse negócio pela comunidade deveu-se ao fato de alguns moradores e lideranças locais estarem participando de um projeto de customização de sandálias, apoiado pela Vale e desenvolvido pela ONG Nave e desejarem continuar nesse campo da economia criativa com atividades artesanais e, ao mesmo tempo, desenvolver atividades que gerassem renda.

Assim as primeiras ideias do negócio foram definidas a partir de levantamento de possibilidades: customização de sandálias, ateliê, entre outras. Após diálogos contínuos, programas de formação, investimentos iniciais e alguns experimentos as pessoas envolvidas no projeto definiram como foco do negócio o Ateliê.

O resultado dessa ação em parceria (comunidade, Vale e Formação) gerou este negócio que ainda está em fase de consolidação. A expectativa é de que mediante a metodologia adotada de 3 PI[2], até o final de 2017 moradores de Maruai aprimorem aprendizados de produção e gestão na área de concepção e produção de moda produzidos de forma artesanal e comunitária e se envolvam em uma rede de comercio justo denominada Rede Comunidade Produtiva, que continuará a ser fomentada pela Incubadora de Projetos do FCAEB, até 2020.

A expectativa das moradoras (mulheres vizinhas empreendedoras de Maruai), é que com a continuidade do apoio estarão cada vez mais fortalecidas para a gestão do empreendimento / negócio. Para o grupo, o projeto desenvolvido poderá ser exitoso se mantiver:

  1. O espírito da produção comunitária, com lideranças sendo revezadas de forma democrática.
  2. O foco em cumprir as metas e as encomendas feitas, sem perder a criatividade e o desejo de criar, mas também de atender demandas mais simples que constituem o alimento diário do negócio.
  3. Manter os clientes conscientes de que o negócio nasce de uma ação de vizinhos, de forma comunitária e solidária, que decidem gerar renda para suas famílias a partir de seus próprios talentos, com o uso de suas capacidades e mãos que transformam tecidos em peças de vestuário.
  4. Contato com clientes próximos (comunidades arredores) que poderão ser contemplados com uma confecção simples (ou mais sofisticadas), mas bem feita e que agregue como valor o trabalho comunitário – sem exploração.
  5. Contato com clientes externos (ainda a serem conquistados).
  6. Os participantes do projeto sabem que apesar de todas as dificuldades que enfrentam, em geral, toda comunidade tem um potencial econômico a ser desenvolvido.

Para os interessados há possibilidade de apresentação deste Plano de Desenvolvimento de Negócio (em Power Point e também via panfletos) pelos empreendedores, que também usarão estas formas de apresentação para divulgar o projeto para órgãos que podem ser parceiros nas vendas em feiras e mercados diversos já existentes e a conquistar, de acordo com a oferta (a escala) que será planejada estrategicamente.

Detalhes desse processo e o que almejam como metas delimitadas às condições existentes (combinação de sonho e realidade) estão detalhados neste Plano.

[1] Cofundadora e Diretora do FCAEB (Formação – Centro de Apoio a Educação Básica). CEO do IMAES (Instituto Maranhão Amazônia de Educação Superior). Diretora da FFI (Formação Faculdade Integrada). Especialista em Economia Social e Desenvolvimento Local pela Universidad General Sarmiento. Doutora em Educação pela USP / Universidad de Sevilla.

[2] 3 PI = 3 PONTOS DE INFLEXÃO, metodologia do FCAEB.


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Formação: 17 anos de aprendizados em coletivos

Regina Cabral[1]

Placa-Formação

Em seus 17 anos de história a Ong Formação tem produzido muitos aprendizados para o seu trabalho e para a vida de quem a constrói tijolo a tijolo, todos os dias, com a argamassa da solidariedade, do respeito, da dedicação e do conhecimento problematizado com seus conteúdos científico, cultural e social.

Por “Formação” entende-se o conjunto de sujeitos que constitui essa organização desde os seus fundadores, coordenadores e profissionais, até os diversos públicos com quem sonha e materializa esses sonhos.

Neste texto são compartilhados 17 desses aprendizados!

Ao longo de toda sua história o Formação tem tido a prática do registro e da elaboração teórica das ações que desenvolve. No Seminário de Planejamento realizado em janeiro de 2014 discutiu esses aprendizados, que foram muitas vezes refletidos em outros momentos nos anos seguintes, nas reuniões sistemáticas de avaliação semanal das terças feiras.

Aprendizado 1 – Não se pode perder o tempo do projeto.

Cada novo projeto concebido ou que terá continuidade precisa ser permanentemente avaliado e planejado com o olhar atento voltado para os objetivos que se deseja alcançar e o tempo necessário para o desenvolvimento de cada etapa, a partir do que é proposto, mas também do que é replanejado no processo.

Aprendizado 2 – O êxito é do coletivo, mas cada unidade (na sua totalidade) é essencial para o sucesso que se alcança no conjunto das ações.

Cada profissional dos projetos precisa fazer bem a sua parte, contudo sem se restringir a ela, ou seja, quando necessário é feita a cobertura ao trabalho de outros profissionais, sempre com a ideia de que nada pode furar durante a execução dos projetos e que a responsabilidade é do coletivo; o Formação tem uma equipe de habilidades diversificadas, que se complementa na sua totalidade e a cada nova ação todos aprendem com os acertos e os erros de cada parte.

Aprendizado 3 – A organização atua como ponte e travessias.

Aprende-se no dia a dia que o mais importante no âmbito da atuação é ser ponte e ajudar pessoas em suas travessias pessoais e coletivas.

Aos poucos, o Formação foi aprimorando e consolidando estratégias voltadas para o fortalecimento dos sujeitos que atravessam essas pontes, com ampliação de seus horizontes. Que estratégias são essas?

  1. Mobilização simultânea de diferentes sujeitos para a ação transformadora almejada.
  2. Concepção e realização de programas de formação para os diferentes sujeitos com quem a organização materializa sonhos.
  3. Promoção de intercâmbios-residências, em parcerias com outras organizações, fora do local onde esses sujeitos atuam.
  4. Reaplicação de ações e de metodologias apreendidas para aumento de escala e incidência em políticas públicas.
  5. Fomento a articulação de Redes.
  6. Realização de eventos para disseminação de ideias.
  7. Sistematização das metodologias, tecnologias e projetos educativos que concebe e executa.

Aprendizado 4 – Liberar para a ação autônoma com quem trabalha e a quem apoia.

Desde o começo do Formação os seus fundadores acreditam que não adianta a organização conceber e executar projetos mediante receituários que os públicos da atuação têm acesso. Não acredita que com uma equipe apenas de executores seja alcançado o objetivo almejado.

Acredita-se, sim, que todos os conteúdos e metodologias devem voltar-se para potencializar a autonomia criativa, científica e política de suas equipes e professores com os quais trabalha, da mesma forma que os processos de emancipação dos adolescentes e jovens envolvidos nos projetos requerem o desenvolvimento dessas autonomias.

Aprendizado 5 – Não deixar o chão do local, da ação.

Nenhum projeto se reaplica da mesma forma em outro lugar, sem se olhar para a realidade e fazer as devidas adaptações. Nesse sentido, antes de conceber ou planejar estratégias para início de projetos novos em territórios novos o conhecimento das pessoas e de todo o contexto cultural, social, político e econômico é muito importante.

Nesse sentido, o Formação busca sempre conhecer os dados já existentes e realiza mapeamentos e visitas locais para complementar o conhecimento inicial necessário. Esse conhecimento, entretanto, vai sendo continuamente ampliado, pois é no dia a dia que as lentes usadas pelos profissionais conseguem captar detalhes antes não percebidos.

Aprendizado 6 – Começar pequeno, mas vislumbrar escalas.

Desde sua origem o Formação já pensava que não era com o objetivo de realizar uma ação bem focada, pequena, piloto que estava sendo criado, mas para desenvolver ideias que se multiplicassem em escalas maiores. Tudo o que é pensado, desde um projeto educativo de escola até uma metodologia de esporte educativo é vislumbrando uma reaplicação mais abrangente. Não sendo assim, não se vê tanto sentido na existência da organização.

Esse aprendizado levou à decisão da organização de não patentear nenhuma metodologia ou tecnologia concebida, mas deixá-las para uso livre (na perspectiva educativa) dos interessados.

Aprendizado 7 – Trabalhar vários níveis simultaneamente.

Uma das críticas que o Formação mais sofreu logo nos seus primeiros anos de existência foi a de que realiza muitas ações simultâneas, como por exemplo, esporte, arte, comunicação, educação, incubação de projetos produtivos… via as diferentes estratégias já citadas. Entretanto, esse aprendizado veio com os fundadores da organização e foi criando corpo a cada nova experiência.

Sem a simultaneidade é difícil alcançar a omnilateralidade do ser e a transformação das realidades que precisa acontecer.

Aprendizado 8 – Os limites da aferição do tangível e do intangível.

Esse é um aprendizado em construção. Como ir além do observável, como medir as consequências do trabalho? São questões feitas a cada novo relatório avaliativo.

O Formação está ainda aprendendo a fazer essas aferições. Contudo, com o andar dos anos é possível compreender que quanto menos controle se tem das consequências e resultados do trabalho, mais êxito é possível alcançar, pois o conhecimento bruto que as organizações desejam conferir/ aferir / medir não corresponde ao conhecimento líquido que se espalha na sociedade. Os resultados de muitos projetos podem ter uma liquidez difícil de ser visualizada / capturada em sua totalidade. Os instrumentos de captação de dados não conseguem delinear essa liquidez.

Aprendizado 9 – O projeto deve ser pensado permanentemente por quem concebe e por quem executa.

O Formação tem uma equipe de concepção e elaboração de projetos, mas defende que ao serem executados os mesmos sejam  permanentemente refletidos e reelaborados, pois é no processo que o desenho mais adequado de um projeto voltado para a transformação de determinadas realidades se constitui e se consolida.

Quem executa, além de não ser um mero “tarefeiro” deve ainda refletir e sistematizar o trabalho que desenvolve. Nesse sentido, as reuniões sistemáticas de avaliação e planejamento do Formacão são um suporte relevante.

Aprendizado 10 – Manter a clareza de aonde se quer chegar (para além do horizonte), mas evitando ativismo e correria desenfreada que, regra geral, se transformam em fardo e não em uma ação leve e prazerosa.

Não é possível ir além do horizonte se não existir um objetivo claro a ser perseguido. Por muitos anos o Formação tem trabalhado com um mesmo objetivo, nem tão original, mas para a organização importante, em todos os seus projetos. Que objetivo é esse? Melhorar a realidade das pessoas e dos lugares onde as mesmas vivem.

Com os anos, a grande demanda e mesmo a oferta de possibilidades corrobora a existência de um percentual perigoso de ativismo e de correria, que se não evitados, pode levar a perda de foco, de radicalidade na forma de realização das ações.

Aprendizado 11 – É necessário ficar atento à rotina, pois se nos desgostarmos com o trabalho estaremos produzindo cupim que destruirá a organização.

Quando o Formação foi criado em setembro de 1999, seus fundadores tinham o desejo de constituir uma organização ao mesmo tempo densa e leve, um espaço livre de disputas e com equipes tendo o mesmo propósito; um lugar para aonde ir fosse um prazer e não um fardo.

Com esses princípios foram muitas as conquistas; tem-se ido longe, além do inicialmente pensado, mas com uma rotina que por vezes deixa de ser adequadamente pensada, avaliada e planejada, o que pode transformar a organização em um espaço não mais tão agradável. Isso acontecendo pode gerar ao invés de resultados que estejam voltados para o alcance dos objetivos da organização, “a produção de cupim que destruirá nossa organização”(Cako Henrique, 2014).  Isso foi aprendido. O que fazer para evitar? É um aprendizado que necessita no dia a dia ser construído.

Aprendizado 12 – Objetivo radical, planejamento flexível, mas não flexibilidade da flexibilidade.

Um dos aprendizados que sempre a organização procura ter firmeza para manter é o da flexibilidade na execução dos projetos que tem um objetivo, cuja intenção de alcançar é sempre radical, ou seja, o que é escrito é visto em sua raiz, é buscado o mais profundamente possível na sua execução.

Contudo, aprendeu-se também que “não é possível flexibilizar o já flexível”(Fabio Cabral). Ou seja, não existe na organização uma rigidez com horário de trabalho, pois o mais importante é se conseguir com autonomia intelectual e criatividade realizar tudo o que é planejado no coletivo das terças. Entretanto, aquilo que é planejado precisa ser garantido, isto é: relatórios, prestações de conta, cumprimento de agenda, tudo nos dias e prazos combinados, caso contrário, a estratégia de não ter cumprimento de horário esvazia-se de sentido.

Aprendizado 13 – Quando necessário, mudar os arranjos institucionais.


O Formação tem uma estrutura administrativa constituída por:  Assembleia de Associados;

  • Diretoria Colegiada;
  • Equipe de Avaliação, Planejamento e Execução de Projetos;
  • Fóruns de Gestão de Projetos – compartilhado com parceiros e apoiadores.

Contudo, é sempre muito aberta para mudanças que forem necessárias, mas no geral essa forma democrática e horizontal tem se mantido.

Aprendizado 14 – Não se volta ao passado, mas é possível reconstruir sempre o presente, sem perder os princípios de outrora, mas considerando o que se é hoje.

A equipe de fundadores mantém a firmeza de espírito e de princípios, mas não tem a mesma vitalidade física para o trabalho de campo e nem a mesma tolerância para as contradições e disputas externas. Isso implica dizer que no presente, além de um novo ser físico e mental, também com o conteúdo novo dos aprendizados, há novas conjunturas. O momento não é igual.

Com as novas conjunturas e os sujeitos atualizados é que se deve pensar o presente sem se perder o que é a argamassa e o sentido da existência da organização.

Aprendizado 15 – A unidade da organização e a formação permanente dos quadros é condição de sucesso.

Parece óbvio, mas unidade e formação permanente é o que mantém o Formação firme nos seus propósitos olhando para além do horizonte. Quando o processo formativo é diluído e minimizado a organização é enfraquecida.

Aprendizado 16 – Blindagem das equipes sem corporativismo.

Nos momentos mais difíceis a confiança para quem conhecemos e cuja metodologia nos é clara precisa ser demonstrada, profissionais sérios e dedicados precisam ser blindados de ações injustas e fofocas maldosas e intencionais. Não podemos abandonar e desrespeitar o companheiro que realiza um trabalho ético, deixando-o ser engolido por quem atua com interesses próprios e nem sempre lícitos, éticos e transparentes, na maioria das vezes, nos bastidores, no limbo da falta de decência.

Aprendizado 17 – Não somos máquinas cumpridoras de metas, somos humanos, humanizados realizadores de sonhos.

Este aprendizado é por si só explicitado.

 

 

[1] Co-fundadora e Diretora Geral do Formação e Diretora Administrativa.

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CIP JOVEM CIDADÃO (uma ideia possível com o apoio da Fundação Kellogg)

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 Por Regina Cabral

Quando olhamos para trás e relembramos o nosso primeiro seminário com alunos do ensino médio, no ano de 2003, na cidade de São Bento – marco dessa história, muitas lembranças vêm a mente. Naquele momento nos reuníamos para discutir a realidade que os jovens tinham e a que eles queriam para suas vidas e suas cidades.

Que realidade vocês têm hoje? Qual realidade desejam ter? O que podem fazer para construí-la? Certamente quando fizemos essas perguntas, não tínhamos a noção exata de quão longe iriam.

A Baixada Maranhense, região que detinha baixos índices de desenvolvimento humano (melhorou daquele ano para cá), não era naquela época priorizada em nada no que se refere às políticas públicas estruturantes, apesar de estar localizada muito próxima de São Luis e de ter sido por muitos anos, antes da construção das estradas, a região produtora de alimentos para a capital, transportados pelo mar.

Naquela época havia alguns movimentos sociais, movimentos de igrejas, muitos grupos de jovens isolados (chegamos a mapear mais de 200 grupos em 10 cidades onde atuamos), mas sua ação não tinha uma ressonância tão grande em nível do Maranhão e do país.

E foi exatamente naquele momento, lá em 2003, que se deu início a um processo rico e bonito de intensa participação da juventude. Quantas coisas conseguiram fazer! Apenas para relembrar algumas:

– Telecentros com softwares livres – quem não se lembra do banner do caranguejo interligando a Baixada ao mundo, em 2005.

– E os Centros de Ensino Médio e Educação Profissional, uma ideia que revolucionou a cabeça dos jovens, diminuiu as viagens de muitos baixadeiros para trabalho análogo à escravidão em outros estados brasileiros, retomou a produção agrícola e iniciou a produção agroecológica na Baixada.

– A Rede de Jovens Comunicadores, produzindo revista COR, curtas, animações, programas de radio, incluindo digitalmente a população.

–  Mostras de Música da Juventude (03), com bandas baixadeiras se revelando, jovens se desenvolvendo.

– Festivais de Teatro e Dança (04), lançando companhias que não se apresentaram apenas no Maranhão, mas em vários estados.

– Jovens do futebol de rua, disseminando a metodologia nas cidades e representando a Baixada, o Maranhão e o Brasil em 4 eventos sul-americanos (Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai) e 2 eventos mundiais (Alemanha, África do Sul).

– Feiras do Circuito Produtivo, Condomínio Cauaçu, Fábrica de Doce, Agropolpas… mais de 100 projetos de desenvolvimento incubados….

– Fóruns da Juventude com sedes e programas sociais, Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) para fomentar o desenvolvimento, Instituto Baixada para captar recursos e manter a estrutura e dinâmica de funcionamento dessa rede de projetos sociais…

É difícil enumerar tudo o que foi feito… a cada ano novos jovens entravam no movimento e outros iam seguindo a vida. Hoje, muitos estão em atividades de destaque.

Tudo isso foi sendo sido possível com muita criatividade, altivez, desenvolvimento de ideias e apoios financeiros. Um desses apoios foi estruturante. O apoio da FUNDAÇÃO KELLOGG que ajuda organizações e pessoas a ajudarem outras organizações e pessoas.

Na próxima década o desafio será continuarmos ainda mais fortes, com as organizações da Baixada e sua população sendo cada vez mais protagonistas de sua HISTÓRIA. HISTÓRIA de mulheres e homens de luta, numa região linda onde no mesmo lugar, mas em épocas diferentes, você pode andar a cavalo em um terreno seco e navegar de canoa com as mãos na água tocando a vegetação submersa.

Viva a Baixada Maranhense e todos os seus filhos e filhas – descendentes de africanos e europeus. Brasileiros, Nordestinos, Maranhenses, Baixadeiros!

cartaz evento gratidão

E obrigada àqueles que nestes dias e em dias remotos imaginaram que com o seu recurso financeiro poderiam ajudar pessoas a se desenvolverem nos lugares mais inimagináveis, como a Baixada Maranhense. Por isso, muitas vezes vi jovens dizendo Obrigado, como agora.

DSC09402   Éramos tão jovens em 2003. Queríamos mudar a realidade que vivíamos e não sabíamos como fazer, até que fomos provocados e fortalecidos para sermos atuantes nos movimentos sociais, através dos Fóruns da Juventude. Desde então, conquistamos espaços estratégicos, sustentabilidade, autonomia, nos tornamos fortes, gigantes, ousados e ainda mais sonhadores. Hoje, vemos com vários olhares, o “local”. Amo minha terra e luto por ela. Começamos a pensar em espaços mais amplos, no territorial, com todos unidos pelo desenvolvimento sustentável de um território. Foi assim que aprendemos a ver mais longe que nossas cidades, aprendemos a ver nossa Baixada; e para além da Baixada, o mundo. Hoje somos capazes de mudar mundos. Agradecemos ao Cip Jovem Cidadão, ao Formação, à Fundação Kellogg pelo apoio, por acreditar, por investir. Agora, todos juntos podemos comemorar os resultados impactantes. Digo com orgulho: sou Baixadeira! (Lozangela Santos)

DSC09391  O projeto CIP Jovem Cidadão apoiado pela Fundação Kellogg oportunizou aos jovens baixadeiros a possibilidade de organizar e potencializar seus sonhos, criar perspectivas a partir de sua realidade, a partir do mundo em que vivemos. Vislumbramos inúmeras formas de melhoria da qualidade de vida dos jovens e de suas famílias. As ações do CIP (Conjunto Integrado de Projetos) provocaram uma revolução na forma de atuação dos jovens dos municípios e território. Hoje, não mais como jovem e sim como liderança participante de organizações como ADS, TR Campos e Lagos e Instituto Baixada continuamos devolvendo parte do que aprendemos e experimentamos no CIP, como jovens cidadãos. (Denivaldo Moraes)

Ailton O que nos faz nesse momento degustar sentimentos agradáveis de gratidão são as oportunidades concedidas para que pudéssemos ocupar espaços que sempre foram nossos por direito, pelas lutas e conquistas ao longo desses mais de dez anos de caminhada. O que fomos e o que somos hoje, nos remete trazer a mente, nas falas e nos atos, todo o processo virtuoso estabelecido a partir das discussões pelo território e as inúmeras intervenções que certamente garantiram um novo cenário para a Baixada Maranhense. (Ailton Barros)

Herbet Ter feito parte desse movimento na Baixada Maranhense foi de fundamental importância para minha vida, para minha formação. Nesses 12 anos trabalhamos a emancipação da juventude e conquistas na organização do arranjo produtivo da Baixada. Obrigado a todos os parceiros que fizeram parte dessa história. Foram muitos. O que apreendi nos estudos, nas discussões e ações estruturantes me motiva cotidianamente a ser responsável pelo desenvolvimento do nosso território. (Herbet Nunes)

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DIALOGUE ZONE PROMOTES EXCHANGES BETWEEN A COMMUNITY COUNCIL AND FELLOWS

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In the early years of the Baixada Institute, the Dialogue Zones were performed with many guests. Among them, two Cuny fellows: Jaqueline Camargo and Fabiana Hernández Abreu, director of FUNDEP, Ademir Ribeiro and the consultant of the Tide Setubal Foundation, Gabriel Lingabue. These dialogues promoted the sharing and sprawling of several ideas to guests and members of the Community Council of the Baixada Institute.

Jaqueline de Camargo dealt with some relevant aspects from her main focus at that time: the search for a theory to evaluate the impacts the work with youth and the role of community foundations in this action.

According to her evaluation, there was an evident potential in the work done in the Baixada Maranhense. In her opinion, the internal links could be strengthened, but also an articulation of the Institute with other organizations and outside consultants, thus establishing other connections with a broader and comprehensive movement. Her concern was linked to the issue of social justice and to the work community foundations develop for this purpose.

Fabiana Hernández shared the work developed by her home institution in the Department of Colonia, Uruguay. She worked on a constitution project of a community foundation that originated from the Social Region Project (Colonia). She told us that the system of her project was structured in the constitution of Mesas Socials (local joints) of which emerged the local appointments, discussed in the Projects Committee of the Colonia Region Fund , setting priorities that would determine the criteria for the support of funded projects at the local level for organizations in the locations comprised by the region.

Gabriel Lingabue’s contributions were important to the design made later for the Public Hearings, designed to listen to the population of the Baixada Maranhense on what should be the investment priorities and posting notices of the Baixada Institute.

Many advisers to the Baixada Institute (Ailton Barros, Lozangela Santos, Jean Claudio, Bianka Pereira, Ciro José, Roberta Abreu) intensified the dialogue as they counted the steps taken for creating the Baixada Institute, and the permanent concern to not lose focus: the territorial development and the strengthening of organizations and initiatives of civil society. They stressed the importance of taking into account the already existing experience, and maintaining permanent exchange with other organizations on topics such as fund raising and fund management support to youth organizations.

In fact, the first resources for the Baixada Institute, supported by the Kellogg Foundation, were administered by FUNDEP (MG). The Superintendence of the Institute had during over three years a close relationship sharing procedures and management tools with the General Superintendence of FUNDEP. Ademir Ribeiro made a didactic explanation at the Dialogue Zone, making important recommendations for the development of the Baixada Institute and how it was being managed in a shared perspective.

He stressed the importance for community foundations to operate in a transparent and ethical manner, without losing sight of the achievement of their purposes, in order to be acknowledged as an organization with credibility proved by its practice, ie having fund raising capacity and also, management of these resources, capable of organizing their references to donors and recipients. He also highlighted the strength that he seemed to be very clear on the work developed by the Baixada Institute, however being necessary to take care of the institute’s growth.

This was a very important moment because the young members of the Community Council could demonstrate how tuned they were in terms of the issues under discussion and, at the same time, they could make relevant comments and analysis of the need to keep the system of relations established between the organizations territory of the Baixada and other collaborating organizations. Such evidence signaled the importance of building networks in order to strengthen mutual influence processes, with strong focus on community interests.

The debate continued and continues and will be shared on this blog with new texts that will be posted, but at this point I would like to socialize an evaluation, which is not mine, but that I have heard in many discussions I have recently participated in: in the world of foundations there are few examples as the Baixada Institute. In fact, the case of Baixada is very genuine, because it the expression of an intense mobilization in order to reach a local development process with permanent subsidies of various actions, by means of an organization created and installed in its own territory by its residents.

 

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COMMUNITY FOUNDATIONS AND FUNDS – initial dialogues in the BAIXADA MARANHENSE (LOWLANDS OF MARANHÃO) (Part I)

2 - post-ingles

In 2003, the NGO Formação (www.formacao.org.br) made a political decision to invest in underprivileged areas of Maranhão, articulating the concepts of education and sustainable development. The first territory chosen was an area known as the Baixada Maranhense (Lowlands of Maranhão), due to its low economical and social indicators, among the three lowest in the whole country.

Having this in mind, Formação spent a whole year mapping the young residents’ interests, the public policies, and the socioeconomic reality of the area, supported by the Kellogg Foundation, together with the participation of large sectors of the civil society of ten Brazilian cities. As a consequence, several specific meetings were held on youth issues and local development, in order to draw a 10-year project, named Young Citizen ISP. ISP means Integrated Set of Projects.

Three years from the beginning of the Project, there already were ten dynamic Youth Forums, and several new participation and action instances for young people, in permanent dialogue with Municipal Authorities, mainly the Educational and Agricultural departments.

In this historical moment, an Agency for Sustainable Development was created as an important structure for the sustainability of the growing movement. As it was created, 59 of the most important social and community organizations of the Baixada Maranhense, plus a Community Foundation joined the Project, aiming at organically continuing the task started by Formação and its multiple partners.

In 2009, Formação held a Seminar about Community Foundations and Funds, to share many of the methodologies developed in the Baixada Maranhense, such as the Incubator for Productive Projects, the Telecenters, the Youth Forums, the Support Funding for Youth Projects, and the Training Programs for Young People. Representatives of the Kellogg Foundation, the Tide Setubal Foundation and ICOM were present in this Seminar.

There were many guests present in several opportunities for dialogue during these initiatives in the Baixada Maranhense. Many people who visited us (from different countries) were able to cover the ten municipalities to get to know more closely actions and strategies of materialized projects in a territorial network (in all cities, actions were implemented with some variations, but with a common core). These visits and dialogues resulted in a better understanding of the technologies developed in the Baixada Maranhense, which in different ways inspired young people, educators, consultants and managers that reproduced in their Brazilian and Latin American organizations.

During the seminar (2009) in which we discussed the Community Foundation more widely with guests of ICOM and Tide Setubal Foundation, Andrés Thompson (Kellogg Foundation) did a retrospective on the history of the creation of Community Foundations in the US, the first created in 1914, and an indication of the different types of foundations: corporate (business), family, independent and community. Mr. Thompson explained to members of the Baixada Institute and that the latter type of foundation (Community) was in large growth in recent decades.

This growth, in his opinion, resulted initially from the fact that a great accumulation of wealth in the Northern Hemisphere and the decision of some owners of this volume of wealth donate resources to the development of more specific areas.

Thereafter community foundations were created with funding resources (endowment) with the prospect of using this wealth for the common good.

The concept of Foundation in this case does not match what is adopted in Brazil, according to the current laws of the country. Worldwide there is a wide variety of legislation and formats, thus, not existing a unique model that could encompass this totality and this diversity. However, all of them have the idea of raising funds to support organizations that create and execute projects in a given territory. In New York, for instance, there are Foundations even for specific boroughs. The Baixada Institute is comprised by 10 cities.

It is difficult, however, to compare these situations in the US with the Baixada Institute. In 1914, when the first foundation was created in the United States, its construction aimed to attract resources to manage these resources and invest them in order to ensure continued growth of these resources. The focus was not the areas that lacked wealth, but the ones that had it. There was an wariness process of these sectors that concentrate wealth to assume a project related to the sectors where there was a shortage, through individual donations, closed-end funds by the donor (resource investment with a destination defined by the donor).

In the Baixada, wealth is the people, but the territory is still impoverished, being necessary to raise funds in and out (further out) thereof. In these moments, many questions are raised. For example, the extent to which community foundations are changing the reality, or just playing the wealth cycle, as a small amount donated alleviates an immediate problem but does not solve the issue of poverty or poor living conditions – was one of the inquiries made in the 2009 Seminar and we continue to make.

Due to that and because we understand that it is not in the alleviation of poverty that the institute should act, but in strengthening initiatives to structure a better society, the Baixada Institute has as one of its definitions to seek resource for developing and supporting ideas that structure circuits, such as agroecology, the culture, the communication, reading, etc. To this end, resources need to be sought outside the Baixada too.

Another fundamental example that can be seen as an inducing of structural actions is the Baoba Fund also designed with the Kellogg Foundation, who decided to reduce support in Brazil, but allocate resources to projects for the promotion of social justice, prioritizing actions to overcome ethnic discrimination.

The dream of foundations as the Baixada Institute is to get resources for an autonomous and independent action, for the existing tension between the needs and priorities of definitions imposed by the donor is a point that requires a lot of management capacity of the operators and managers of foundations. There is an ongoing challenge of financial sustainability.

In the Baixada Institute the identity of “embaixadeiros”, was created which can be a different and interesting way to make this process of awareness into a new philanthropy and at the same time, to a qualified volunteer to help with the accumulated knowledge to expand the management capacity of the organizations and people supported by the foundation.

With this campaign, which has not been adequately carried out, people can be encouraged to become individual donors.

 

COMMUNITY FOUNDATIONS AND FUNDS – initial dialogues in the BAIXADA MARANHENSE (LOWLANDS OF MARANHÃO) – (Part II)

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Community foundations carry and spread seeds of a strong movement that can be even stronger by establishing a systematic dialogue held with community groups and youth leaders.

Foundations need a long time to become organized. In the case of the Baixada Institute, for almost six years, we reflected on this idea and since 2008, its construction has been accelerated.

It was built with a good mortar in its foundation and with the search for a more appropriate roof to address the diversity of the region. In this sense, to seek cover to ensure your funds and programs has always been one such question.

In my opinion, to think a community foundation is to focus on material resources, defined territory, human resources and those that will be protected to their shadows. All this must be thought before the foundation is created. Reflecting on these conditions is to anticipate potential, opportunities or impossibilities, in order to succeed and not to distort the community interests.

In addition to these more organic details, we are faced with legal issues. After all, we could not create a community foundation in the designed model. “When the Baixada Institute was created, for example, the challenges were great, given the lack of legal definition for such foundations, which also made it difficult to fund raising, for the lack of a legal and tax framework that would help.” Rodrigo Oliveira (Formação).

In the Brazilian legal foundations model there are very important operation aspects, I.e, the need to have some controls structured beyond financial management: internal, external, the tax authorities, the donor, the recipient of the donation. A highlight was made to the fact that tax disputes can be a threat to the funds. “The accounting issue is a major challenge, causing the creation of mechanisms to handle obstacles that may arise.” Bruno Teatine (FUNDEP). A permanent quest has been referring to the debate with donors, even small donors, as an exercise, aimed at creating a new culture of giving, a change in the donors’ mentality so that they would make themselves available to monitor the use of funds and also get involved in the social purpose of the institution. In these early debates of the Baixada Institute, it was important to think about the donor’s rights, which could improve the debate on the potential of new donors. “This foundations model is fertile, and the regulatory framework can come later.” Bruno Teatine (FUNDEP).

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DIALOGUE ZONE – BAIXADA INSTITUTE action genesis

1 - Post-Para-Blog-Regina-ingles

The Baixada Maranhense Community Institute (Baixada Institute) launched the Program “Dialogue Zone” on March, the 6th and 7th 2009, during the II Seminar of Community Foundations and Funds.

The purpose of this Zone is to promote the discussion on community foundations and funds from the perspective of the Baixada Maranhense (Lowlands of Maranhão), where the first community foundation of the state was created. Since then, we have been promoting opportunities for discussing this type of organization.

On this blog, Regina Cabral, one of the founders of the Baixada Institute, writes about this experience and other thoughts on projects that she has been devising and coordinating within the Brazilian civil society since 1985.

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